MIGRAÇÃO
O País cresceu.
O desenvolvimento surgiu como consequência das facilidades de cada região.
Sul, Sudeste, sucesso desejado por vários herdeiros da miséria.
Na rodoviária, desembarcam olhares de fome;
Olhares que pedem socorro; Silenciosamente;
Passivos e esperançosos desviam da desgraça companheira;
São retirantes em busca do emprego, do alimento, da solução de problemas e do sorriso de seus filhos que, cansados, já não choram, soluçam.
São trouxas, que trazem trouxas, vazias de pertences e cheias de ilusões.
Agora, na cidade grande, grandes são as dificuldades;
É a moradia que não tem;
É a fome que se senta à mesa diariamente;
É a morte que faz suas visitas nas proximidades;
É o emprego procurado em vão;
É a família que se desentende;
E a esmola já não é uma humilhação.
Pedem, choram e esquecem;
Que um dia, como seres humanos, pensaram que a vida poderia mudar.
Querem voltar.
A saudade dos seus e da terra natal cresce.
Muitos se perdem nas ruas e nos becos das cidades de cartão postal.
Anonimamente são esquecidos pela vida e lembrados pelas pesquisas.
São carentes, são indigentes.
Seus filhos não choram, gemem e morrem.
“Deus quis assim”;
Retirantes que se vão sem trouxas e sem ilusões;
Sem olhares de esperança;
Perplexos com a realidade, querem esquecer, querem calar o que jamais irá mudar.
Calados e quietos, aceitarão que a situação se repita e se repita;
Até que, um dia, uma promessa
Seja, de fato,
Cumprida!

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