quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Uma vez ou outra


Uma vez ou outra

Você já riu sem parar, de perder o ar, de quase desmaiar, de chorar, de a barriga doer e você até se esquecer de onde está?
Eu já!
Já tentou rir tudo, tudinho para poder esvaziar e continuar?
Eu já!
Conseguiu?
Eu não!
Era só olhar e lembrar e tudo voltar.
Risada boa, solta, leve, infantil.
Risada descompromissada.
O motivo de tanta gargalhada foi uma boa piada?
Claro que não!
O motivo sempre foi o mais bobo possível.
É achar graça do que nem tem graça.
O motivo é simples.
Simples como a vida.
Já pensou que isso aconteceu há muito tempo?
Eu era criança, lá na infância.
O tempo passa e as gargalhadas ficam escassas.
Elas vão sumindo, sumindo...
E vão dando lugar aos risos, sorrisos e isos...
Que tal, uma vez ou outra, tentar abrir a porta do coração, sentar no chão, esquecer que é adulto e brincar nem que seja com o cão?
Rir, cair, rolar e se sujar.
E quando se levantar, com certeza estará refeita para recomeçar mais um dia de gente grande, de adulto, que só pode sorrir.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Natal

FELIZ NATAL

Dezembro, mês de correria, de compras, de shopping cheio, filas, engarrafamentos, arruma a casa, monta a árvore de natal, pisca pisca, supermercado, lista de presentes, a ceia, a roupa que vai usar... Ufa! Que loucura! Você não se cansa de repetir o que disse no ano passado e no retrasado também: No próximo ano vou me organizar. Você promete o que já sabe que não vai cumprir. E assim os dias passam, o Natal se aproxima e você acha que não vai dar tempo quando, de repente, como mágica, tudo acontece. Você conseguiu mais uma vez! Papai Noel chega e trás consigo a realização do sentimento que estava guardadinho lá no fundo do seu coração, a confraternização. Motivado, Você liga para os amigos e vice versa, reencontra os que estavam distantes, abraça, beija, ri e brinca de amigo oculto. Todo o estresse do preparativo foi esquecido. Tudo valeu à pena! Pois só assim, aqui estou para desejar de coração, um Feliz Natal para você.
Feliz 2010

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2009.

Silvia & Washington Lotfi

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

JORNAL de INFORMAR


Jornal de informar

Jornal que informa;
Jornal que embrulha a informação;
Jornal que forra o chão, que embrulha o pão;
O pão que é nosso, mas que não se tem todos os dias;
Jornal que esclarece e enlouquece;
Jornal dos classificados;
Jornal das colunas sociais;
Jornal do crime da esquina;
Jornal que noticia a vida e a morte;
Jornal das manchetes, greves, salários, prisões, e goleadas fenomenais;
Jornal que informa o que não fazia nenhum mal ignorar;
Jornal que ignora o que deveria estampar nas suas primeiras páginas;
Jornal que serve para embrulhar o povo e as bananas da quitanda.

ACREDITE


ACREDITE

Acredite!
Acredite que amanhã tudo será diferente;
Acredite que pior não poderá ficar, é impossível!
Acredite que o acontecido serviu para lhe dar a certeza de algo;
Acredite que, algum dia seu valor será reconhecido por aqueles que o magoaram;
Acredite que o Sol brilhará;
Acredite no amor, nem que seja só o seu;
Acredite na esperança, nem que seja a única coisa que lhe reste;
Acredite num Ano Novo, nem que seja para poder desejar aos outros;
FELICIDADES!
Acredite na vida, num mundo melhor.
Acredite até na mentira, se for para sobreviver;
Acredite em tudo isto e muito mais;
Acredite, mas antes de tudo,
Acredite em Você!

MIGRAÇÃO


MIGRAÇÃO

O País cresceu.
O desenvolvimento surgiu como consequência das facilidades de cada região.
Sul, Sudeste, sucesso desejado por vários herdeiros da miséria.
Na rodoviária, desembarcam olhares de fome;
Olhares que pedem socorro; Silenciosamente;
Passivos e esperançosos desviam da desgraça companheira;
São retirantes em busca do emprego, do alimento, da solução de problemas e do sorriso de seus filhos que, cansados, já não choram, soluçam.
São trouxas, que trazem trouxas, vazias de pertences e cheias de ilusões.
Agora, na cidade grande, grandes são as dificuldades;
É a moradia que não tem;
É a fome que se senta à mesa diariamente;
É a morte que faz suas visitas nas proximidades;
É o emprego procurado em vão;
É a família que se desentende;
E a esmola já não é uma humilhação.
Pedem, choram e esquecem;
Que um dia, como seres humanos, pensaram que a vida poderia mudar.
Querem voltar.
A saudade dos seus e da terra natal cresce.
Muitos se perdem nas ruas e nos becos das cidades de cartão postal.
Anonimamente são esquecidos pela vida e lembrados pelas pesquisas.
São carentes, são indigentes.
Seus filhos não choram, gemem e morrem.
“Deus quis assim”;
Retirantes que se vão sem trouxas e sem ilusões;
Sem olhares de esperança;
Perplexos com a realidade, querem esquecer, querem calar o que jamais irá mudar.
Calados e quietos, aceitarão que a situação se repita e se repita;
Até que, um dia, uma promessa
Seja, de fato,
Cumprida!

AMIZADE


AMIZADE

Como surge uma amizade?
Qual o critério de seleção que nos leva a escolher
Pessoas sim! Pessoas não!
Acaso?
Penso que não.
Talvez seja apenas um desencontro.
Eu explico:
Acredito que em algum lugar lá no Céu, crianças- anjos, arteiras e sapecas brincavam e se divertiam correndo para todos os lados como se fosse uma dança doce e alegre.
Elas pulam,
Sobem em árvores,
Molham os pés nas poças que encontram pelo caminho ensaiando um sapateado úmido e refrescante.
Rolam de rir umas das outras.
O riso ecoa dobrado, inocente e contagiante.
E assim, passam os dias ensolarados e azuis.
Por alguma razão, não sei quais, tais anjos caíram do Céu e se desencontraram aqui na Terra.
Talvez, alguns, nunca mais se reencontrem.
Talvez, nunca mais brinquem.
Outros, como nós se reencontrarão.
Não posso precisar por quanto tempo estivemos separadas e perdidas a nos procurar pela vida, mas a verdade é que nos achamos, todas de uma só vez, ao mesmo tempo.
As lembranças do tempo em que passamos juntas, brincando e sorrindo lá no Céu, tomou conta de nossas vidas novamente.
A felicidade de estarmos unidas é plena e radiante.
Talvez tudo isso seja bobagem ou afinidade.
Prefiro acreditar que sejam os reencontros das crianças-anjos aos quais os adultos aqui na Terra chamam de AMIZADE.

Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2009-12-02

MEUS LIVROS


Setembro de 1975.

Casamos. Eu estava com 18 e, ele com 22 anos. Duas crianças, diziam todos!
A vida estava perfeita. Só nós dois...
Longe da família, distante dos amigos, a saudade era a única coisa que causava dor... Mas, nos bastávamos, isso era tudo que precisávamos para a nossa felicidade!
Mas os meses foram passando e a rotina de ficar sozinha boa parte do dia me entristecia. Faltava algo.
Havia o trabalho, que me tirava Washington. Eu estava pela metade e não mais inteira como antes.
De forma não exclusiva fiz o que todos fazem...
Arrumei um cão!
Problema solucionado por pouco tempo. Ainda faltava algo.
Fiquei doente. Estava deprimida e fragilizada.
Dei o cachorro!
Fiquei boa da depressão, mas a solidão continuava.
Ainda faltava algo.
Arrumei um gato!
Não adiantou! Continuava faltando algo.
Gostava mesmo era de crianças... A solução eu já sabia.
Filhos, eu queria filhos!
A cobrança que me faziam é a mesma que fazem para todos que acabam de se casar... FILHOS, quando chegarão?
Eu não seria diferente...
Estava louca para ser mãe... Ter um filho (a) só meu e exibir minha barriga, de preferência enorme, para todos, como um troféu.
Queria um bebê para cuidar, um pequeno ser, lindo, bem tratado, gordinho, cheio de dobrinhas, rindo, fazendo gracinhas...
Eu, achando ótimo: trocar fraldas, ficar sem dormir, cantar cantigas, trocar roupinhas e sendo útil e insubstituível!
Minha idéia era colocar meus filhos fechados hermeticamente em um lugar onde estivessem livres dos olhares, ameaças e perigos do mundo.
Meu amor e carinho seriam suficientes para eles; não precisariam de nada e de ninguém.
Na verdade, nunca tive a intenção de dividi-los!
Mas não é bem assim que as coisas acontecem...
Também nasce com eles o medo de perdê-los e um enorme ciúme.
E, em outubro de 1976, engravidei!
Hoje, tenho três filhos. E bem que poderia ter sido mais...
Tenho um neto e espero a chegada do segundo.
E é assim que essa história começa...

Feche os olhos...
Estenda os braços, abra bem as mãos e respire fundo, agora sinta o presente que você recebeu... Um livro!
Abra os olhos... Olhe o livro em suas mãos.
Você não o leu, mas terá que lê-lo.
PARABÉNS, VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!
Você sabe que o tema é livre... Tratará um pouco de cada coisa, amor, traição, lágrimas, risos, momentos tristes e alegres, suspenses e certezas também estarão lá... Mas qual é a ordem e a proporção de cada ingrediente do livro?
Não sabemos... A única certeza é a que teremos de descobrir lendo cada linha com atenção e sem piscar, para não perder nada que nos prejudique a interpretação.
Portanto, antes de se candidatar ao prêmio do livro, pense bem e faça tudo que puder bem antes. Se prepare e deixe o serviço adiantado. Assim como as donas de casa que querem assistir ao capítulo da novela... Adiante a janta, deixe a casa arrumada, a roupa do dia seguinte separada, tome seu banho, traga as almofadas para o sofá, um banquinho para os pés e se acomode confortavelmente, pois, a leitura é longa e por muito tempo você não despregará os olhos do livro.
É assim, ter filho é assim mesmo, ler um livro que você não sabe como começa e nem como acaba. O personagem vai se mostrando aos poucos, suas características, seu temperamento... Paralelo ao personagem tem o mundo e as condições dos outros personagens interferindo e atuando em cada capítulo.
Além de tudo isso, o livro é interativo, sim, interativo! Você terá que fazer a escolha e mudar o rumo de algumas situações... Ah, esqueci de dizer, não há manual e você terá que resolver sozinha por conta e risco seu.
Mas fique tranqüila... As mães sempre acham que fizeram as escolhas certas e você, com certeza, não fugirá do padrão. Eu também fiz o mesmo!
O livro lhe surpreenderá com momentos emocionantes, como os capítulos de maior audiência, por exemplo: dramas, conflitos, encontros, escola, namorados (as), amigos, febre, choro...
Alguns capítulos são marcantes... Meu primeiro dentinho; Minha primeira palavra (mamãe); Meus primeiros passos; e, Meu primeiro dia na escola...
Outros capítulos lhe arrancarão lágrimas como, Cólicas, Meu filho não é feio, Brigaram com meu filho ou Fizeram meu filho sofrer...
Os meus livros contaram com capítulos especiais que marcaram e emocionaram ao mesmo tempo como: Minha filha está em coma; Meu filho saiu de casa aos 13 anos; Meu filho está no CTI; Meus filhos casaram; A Casa está vazia...
No livro há um capítulo escrito nas entrelinhas chamado: Meu filho não gosta de mim... Talvez esse seja o mais doloroso de se ler!
Você fica o tempo todo presa ao livro tentando alterar o rumo dessa história adicionando e retirando elementos que lhe permitam criar finais felizes aos personagens, como adicionando conhecimento em boas escolas, boa saúde, valores, e lazer (roupas, brinquedos, festas de aniversários,...) e retirando pedras do caminho, maus colegas, vícios... Mas posso garantir que a missão não é fácil e nem sempre é satisfatória. As adições e as subtrações que fazemos nem sempre são acertadas. Acho mesmo que errei em algumas delas.
Há quem diga que o melhor é deixar o destino fazer essa parte... Mas eu não consegui deixá-lo ocupar o meu lugar, mesmo muitas das vezes tendo o personagem principal, o filho, contra mim.
Algumas leitoras, loucas como eu, resolveram ler outros livros mesmo sem acabar o primeiro. Primeiro Livro – Filho, segundo Livro- Filho e terceiro- Livro Filho.
Pouco adianta ter lido um, dois ou três livros... Todos são diferentes!
Uns com mais emoção e romance, outros com mais ação... Ora, um livro se mistura ao outro e muitas das vezes entram em conflito ou necessitam atitudes imediatas e, pior, ao mesmo tempo. Você quase enlouquece, mistura capítulos e livros, troca nomes de personagens, fica acordada tentando colocar a leitura em dia, mas, não adianta. Os fatos sempre estarão adiantados...
Você não vai conseguir pular os capítulos ou muito menos ler os resumos... Ainda digo mais, o contrato de leitura é eterno e dinâmico, capítulos adicionais são inseridos sem sua autorização e você jamais vai ler o último capítulo, a não ser, claro, que você morra! Mas isso você não quer... Você ainda vai querer ler os anexos, onde o capítulo Netos é encontrado!
E é assim, e sempre serão, todos querendo ler seus livros e escrever suas histórias.
Hoje, depois de quase ter lido três Livros – Filhos – e estar começando o anexo Neto me sinto mais ciente da responsabilidade de assinar um contrato de leitura eterna com tantas cláusulas importantes. Mas nesse tipo de contrato, experiência é algo muito pouco necessário... Na minha época eu também não li e nem queria ter lido...
Todos nós temos que ler os nossos próprios Livros – Filhos. São livros maravilhosos, encantadores e apaixonantes, com histórias de enorme magia. Cada livro carrega uma história única que você nunca imaginou.
Como são livros raros, exclusivos e insubstituíveis não se esqueça de ler o capítulo “Cuidados“. Esse capítulo está guardado no arquivo responsabilidades do seu coração. Ele lhe aconselhará para que você saiba o melhor momento para adquirir ou adotar um livro; cuidados para conservar seu livro para todo o sempre sem o risco de perdê-lo ou danificá-lo. Tais livros são vulneráveis a seqüestros, roubos e furtos, fique atento!
Gostaria de ter tido mais tranqüilidade, paciência, condições financeiras e emocionais para me ajudar na leitura dos meus Livros. Talvez se eu tivesse tido a orientação de algum leitor que já tivesse lido algum desses livros, eu pudesse compreender, interpretar e aproveitar melhor cada Livro-Filho.
Cada livro será lido na hora certa e essa hora é você que decide e se responsabiliza.
Para a leitora, não existe Livro – Filho ruim, todos são extraordinários!
Já ouvi dizer que algumas pessoas, depois de lerem todo o livro, o guardaram ao seu lado, na mesinha ao lado da cama para, quando sentirem saudades... lerem repetidamente alguns capítulos preferidos. Acho que é verdade... Já me peguei fazendo o mesmo!
Espero de alguma forma ter contribuído com vocês para que tenham uma boa leitura.
Sejam benvindas!

P.S. Hoje, com a casa vazia, tenho um cachorro e três gatos!


Rio de Janeiro, 29 de novembro de 2009