quarta-feira, 6 de abril de 2011

Peça : A Vida

Uma das coisas mais difíceis na minha vida está sendo atuar como espectadora em uma peça onde um dia fui protagonista.
Mas a vida, como o teatro, substitui os seus atores renovando o elenco da mesma peça em cartaz.
A história contada é a mesma, mas nunca uma atuação será igual à anterior. Os papéis se diversificam.
Ora você é filha; ora você é mãe; ora você é sogra; e ora você é avó.
Os textos vão ganhando roupagens novas e atuais que se encaixam ao contexto original provocando variadas interpretações.
A parte mais difícil? É você não palpitar no trabalho alheio!
Principalmente, porque o personagem de hoje foi o seu, de ontem.
E ainda, a atuação de hoje pode superar a sua, de ontem.
Exercício sofrido mas que rende , na maioria das vezes , bons resultados.
O que mais me emociona é vivenciar a mesma história sem que ela pareça repetitiva.
A história não fica velha ou antiga, está sempre jovial!
Seus personagens são autênticos, fortes, marcantes, talentosos e cheios de surpresas.
No máximo, o que aquela história contada várias vezes, de formas diferentes, traz, são lembranças da sua própria história.
A cada dia um ator é incorporado à caravana daquela peça em cartaz: a Vida.
Agora mesmo, mais um (a) está chegando ...
E, sem cerimônia, vai entrar, subir ao palco e assumir mais um personagem único no espetáculo.
Para mim, hoje como espectadora, continua sendo um milagre, uma magia que se realiza; e assistir a cada ato desse acontecimento é uma satisfação.
E, como parte de um elenco vivo, recebo, como uma anfitriã à porta do teatro, o (a) mais novo (a) componente .
Abro os braços e, com muita alegria no coração, digo:
Entre, fique à vontade!
Depois, vou sentar na primeira fila da platéia, assistir, comovida, ao espetáculo e aplaudir de pé mais uma vez .
Silvia Lotfi